sábado, 9 de maio de 2015

Vem, cara, se declara



“Só não se perca ao entrar no meu infinito particular.”
Dezesseis. 
As pessoas não conhecem o poder da gentileza, e isso é um desperdício de sorrisos gratuitos que sufocam em algum universo paralelo ao nosso capitalismo de merda. Forjam-se seres “humanos” ricos de vazio. Tenho medo do futuro - e muitos planos calcados em curvas. Recentemente aprimorei minhas habilidades culinárias. Meu brigadeiro tá tão gostoso que já me sinto passível de casamento. Aceito pedidos românticos e romance não se pede, acontece. Em alguns instantes, sou pequenina e também gigante. O que realmente importa? A vida é uma continuidade de dissentidos maquilados por emoções, enquanto a ciência faz-se plateia. Marisa descreve-me em ‘infinito particular’, além de me provocar um frenesi introspectivo com ‘velha infância’. Seja meu dissentido - ou tudo será anoitecer, em plena aurora. Comida supre as deficiências de amor. E meu brigadeiro tá imoral. Vem, cara, se declara. Aqui, traduzo os discursos mudos que as lágrimas etéreas da minh'alma delineiam. Dói dentro do meu peito uma dor bonita. “Que se transformava num imenso biombo entre ela e o desejo de se partir em palavras.”. Uma tradição particular: pautar em arte os últimos segundos do dia 3 e os primeiros do dia 4 do mês de maio. Porque poesia é o grande amor da minha vida. É só mistério, não tem segredo. Contigo, sou tons de caos que destoam no eco da pulsação. Dia 4 de maio completei dezesseis anos; foi uma segunda de “parabéns”, basquete, preguiça em responder mensagens por whatsapp e sushi que virou temaki. Vídeos antigos que meu padrinho mandou passar do rolo de filme pra dvd. Nostalgia. Natal. Pais casados. Confirmar as suspeitas de que nasci com espírito de gorda, porém fingir surpresa. “De que cor é o peixinho, Luana?” “Azul”.
{E se eu sorrir,
você só ri,
sejamos felizes, 
então}
Lua cheia que encanta, derramando luz de prata nas minhas velinhas douradas. Autossabotagem é idiotice, e pensei que me era uma prática exclusiva. Eu sei que você é ridículo de propósito, meu bem. Essa situação está insustentável. Quero coragem de presente de aniversário. Sou tão paradoxal. Vou explodir - explodir explodir explodir explodir. De dentro pra mais dentro ainda. Cavar meu peito e me enterrar. Cubra-me de flores. Eu adoro flores, por isso floreio tudo. O destino brinca de ping-pingue-pongue comigo. Vinte horas e quarenta e seis minutos. O morro dos ventos uivantes exprimi, em palavras, o meu comportamento acerca do amor como nunca fui capaz, e ainda não tomei uma decisão entre um corpo fitness e chocolate. 
Dia 4 de maio meu pai completou 43 anos.